escuto em voltao peso,
............a terra,
.........................a raiz
(e é quando o verso se ergue que desfiro o silêncio
num suspiro...)
ainda não nascera o dia
e já as mãos tomavam a forma das tuas
abrigando-se no lugar, vago, onde permanece o sonho
dos teus passos
(torço os dedos em folhas
tombo o corpo
anuncio-me)
os sonhos encadeiam-se como aves
pausas imperfeitas onde te espero
escadas que se povoam de sebes
signos, vozes, tons
(aos pés,
a calçada fria das horas)
o tempo adensa-se à memória
...........e as ondas tornam-se pontos,
.............................................mosaicos,
..........................................................inscrições
(parto, uma vez mais...)
retorno as sílabas dos veios,
os rebordos atravessados de névoas,
os enredos cegos dos dedos,
o beijo, o toque, o ardor
(estendo os braços...)
......................acompanho o gesto do corpo
Escrevo
«tu vagueias nas palavras
onde sem destino partiria contigo...»
… e é quando o verso se apaga que te retenho aos lábios,
que te pronunciam
Imagem: «Autumn», Paulo Medeiros


