Sábado, 12 de Dezembro de 2009

no teu verso-memória

escuto em volta

o peso,
............a terra,
.........................a raiz


(e é quando o verso se ergue que desfiro o silêncio
num suspiro...)


ainda não nascera o dia
e já as mãos tomavam a forma das tuas
abrigando-se no lugar, vago, onde permanece o sonho
dos teus passos


(torço os dedos em folhas
tombo o corpo

anuncio-me)


os sonhos encadeiam-se como aves
pausas imperfeitas onde te espero
escadas que se povoam de sebes
signos, vozes, tons


(aos pés,
a calçada fria das horas)


o tempo adensa-se à memória
...........e as ondas tornam-se pontos,
.............................................mosaicos,
..........................................................inscrições


(parto, uma vez mais...)

retorno as sílabas dos veios,
os rebordos atravessados de névoas,
os enredos cegos dos dedos,
o beijo, o toque, o ardor


(estendo os braços...)

......................acompanho o gesto do corpo

Escrevo
«tu vagueias nas palavras
onde sem destino partiria contigo...»


… e é quando o verso se apaga que te retenho aos lábios,
que te pronunciam


Imagem: «Autumn», Paulo Medeiros