Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

na plumagem oculta do sonho


«tarda a hora do regresso,
nas palmas das árvores
...............................já secas
onde cada termo será um traço no retorno
que se extingue»


(a sibila anuncia a pausa
o jorrar do rosto
o abandono
a despedida)


Longe de nós,
as margens repovoam-se
...............................de desejo

.........de curvas fecundas
....recurvas
em caminhos


(resguardo as feições afumadas sobre nós...)


A dor é som:
..............Gemido...

ensombrecido langor que se crava
...........................................às mãos
............
onde cada noite é apenas
..............................mais uma noite
de perfil


«reconheço a plumagem oculta do sonho
o súbito erguer das asas
o tumulto inconsistente do rasgo
.......................................Inconsciente
que se arrasta»


(a sibila anuncia o retorno
o semear do sonho
a rendição
a utopia)


Perto de nós,
cessa o tempo em que me retardo

...e me detenho
...............e me desdobro
............................e te pertenço

por um instante


(rasuro-me nesta extensão secreta das águas...)


relembro o refluir do corpo
o transmudar do verso
o encontro dos lábios
o teu caminho
...
...
....durante o sono evolam-se vozes

passagens e paragens a destempo

...paisagens cobertas
......................imersas
...........................retorcidas


O amor é clave:
..............encanto...

evanescente rebordo
............................de prelúdio

onde cada dia
...................é mais um dia
sob ti


(a sibila silencia os lábios
e os dedos prosseguem ocultos
o canto)


«tarda a hora da chegada,
no destino incerto
...................que se trama
onde cada gesto será um regresso à palavra
que te chama»


24/01/2010
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Imagem: Miguel Ângelo, Capela Sistina