
«tarda a hora do regresso,
nas palmas das árvores
...............................já secas
onde cada termo será um traço no retorno
que se extingue»
(a sibila anuncia a pausa
o jorrar do rosto
o abandono
a despedida)
Longe de nós,
as margens repovoam-se
...............................de desejo
.........de curvas fecundas
....recurvas
em caminhos
(resguardo as feições afumadas sobre nós...)
A dor é som:
..............Gemido...
ensombrecido langor que se crava
...........................................às mãos
............
onde cada noite é apenas
..............................mais uma noite
de perfil
«reconheço a plumagem oculta do sonho
o súbito erguer das asas
o tumulto inconsistente do rasgo
.......................................Inconsciente
que se arrasta»
(a sibila anuncia o retorno
o semear do sonho
a rendição
a utopia)
Perto de nós,
cessa o tempo em que me retardo
...e me detenho
...............e me desdobro
............................e te pertenço
por um instante
(rasuro-me nesta extensão secreta das águas...)
relembro o refluir do corpo
o transmudar do verso
o encontro dos lábios
o teu caminho
...
...
....durante o sono evolam-se vozes
passagens e paragens a destempo
...paisagens cobertas
......................imersas
...........................retorcidas
O amor é clave:
..............encanto...
evanescente rebordo
............................de prelúdio
onde cada dia
...................é mais um dia
sob ti
(a sibila silencia os lábios
e os dedos prosseguem ocultos
o canto)
«tarda a hora da chegada,
no destino incerto
...................que se trama
onde cada gesto será um regresso à palavra
que te chama»
24/01/2010
...
...
Imagem: Miguel Ângelo, Capela Sistina


