
«Enceno o gesto que me rasga o corpo
resgato a voz que me cede o verso
renego a veste da noite crua
Aceno à sombra que me singra
.......................................à pele...»
(a chave foi escrita e o desejo cerrado
.................................................ao corpo...)
Uma vez mais,
.................de gestos retidos
arrastam-se as folhagens turvas
.............................................lançadas
....................................revestidas
sobre mim.
«atroz é o círculo sem destino
o fio arremessado ao tecido
a moldura deposta à terra
e os teus traços sulcados
..............................de mim»
(pesa-me o corpo
..................nas dobras das vestes que desfio...)
uma após outra,
.................semeei as arestas dos muros
compus os ramos de entre as escalas
..............................................cerradas
ergui os olmos de entre as deserdadas frontes
.............................................................de enigmas
e derrubei todas as frases formadas
............................................deformadas
.................................enevoadas
(de onde retenho as frestas expostas
................................................às mãos...)
se é tarde,
restam-me as horas sem tempo
.........................................suspensas
onde a noite dorme
........................na pausa do silêncio
sob os cavos esboços de um sonho
.............................................cravados
sobre ti.
«a cela de mogno estilhaçara
.....................................a surdina
a roda recuara e formulara
.................................o retorno
a ardósia evocara o pulsar
.................................da névoa
e à saudade ressurgira vagamente
...........................................o teu sonho»
(quebram-se as águas neste
......................................pro lon ga men to
..........................................................sucessivo...)
e mesmo sem repovoar o fragor,
sem mesmo te devolver à linguagem oclusa
.........................................................dos sons
sei que a um sono se sucederá um sonho
e que aos lábios se incidirá
.................................o clamor
da espera.
19/02/2010
Imagem: «Meditation», Jason P.Potter


