Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010

Interlúdio

Por sobre a terra,
o ceptro encerra a curva
................................aberta
.......................em nós

E o fumo desce das árvores
.................................como arcos
silencia-me aos poucos
prolonga-te os traços

Absorve-me, do gesto,
............................o Medo.


(As folhas coavam como tons
cobriam os espaços
nomeavam o Tempo)


Do fogo,
converto o ponto em chama
..................................a clave em som
.............o contorno em desígnio.


Um passo atrás na noite
e a luz seria a face do verso
....................................em chama.


(As folhas atingem o corpo
embaciam os passos
incorporam-se no vento)


No foco da margem,
....................o suspiro estremece o corpo

as paredes apartam-se
.............................das formas
as escadas distanciam-se
.................................em sopros

E da linguagem desfocada das sombras,
ressurge o movimento atado
.....................................do rosto.


(Que rumor negro me arrasta,
.....................................aos tombos,
...............................do solo
entre as dobras dos muros
e as saídas apertadas
............................entre mãos?)


Um passo mais na noite
e o claro corpo será a tocha inteira
derramando-se, oculta,
..............................no Sonho.


29/08/2010


Imagem: «Eclipse Lunae», Mauro Mendula