Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010

Leitmotiv

Entre mim e a noite,
.......................há um silêncio povoado

e um vento desenhado às mãos

quando ao fogo concedo o rosto
.........................................E a sombra

e por degraus obscuros aparto o sopro
...................................................Do medo


(A chuva que bate no corpo
..................................tem uma ordem sísmica...)


Das pedras,
.................solta-se o curso sem passo

...........o reconhecimento oculto do traço

Uma morada eterna,
.........................Um abismo.


Que amarga cadência me fala?

..........Que...p..o..n..t..u..a..d..a...pertença me cega.?


Perdi a certeza do coro,
................................da sucessão do trono

do Teu desígnio...


Perto das horas,

assinalo o termo dos laços

..................................o pano/em dobra

..............a desordem...es
......................................co
............................................rri
.................................................da


(Resgato, da letra,
..........................a estrofe

.................................o rodar esbatido do Norte

........Um temor sustido)


Das ruas, sei de cor a

..................................q
.....................................u
........................................e
...........................................d
..............................................a

......os portos contados,

............................os gestos proscritos


[Entre mim e a noite,
.......................existe um (d)espaço em grito...]


E re-digo,

«Hão-de estender as escarpas
.....................................os seus mantos
............................como arcos

e embora o sonho já não abrace o abismo,

serei a face inteira
......................da passagem
............do teu gesto

Onde a sombra que precede o rosto
....................................respira um corpo só.»


07/06/2010


Imagem: «about lonely days», Christofer Grandin